Resumo Histórico do Município de Rincão

 

 

O nome Rincão originou-se da expressão gaúcha “Rincón”, que significa um lugar naturalmente abrigado, quer por rios, morros, matas, ou mesmo simplesmente qualquer trecho da campanha gaúcha, onde haja arroio, capões ou qualquer mancha de mato. Foram tropeiros gaúchos que antes da criação do Distrito de Paz, lhe deram essa denominação; pois, naquele tempo, passava pelas terras desta região, conduzindo tropas de animais para serem vendidos e o lugar onde costumavam acampar era servido por um córrego de cada lado e protegido por morros e matas. Esse local é onde hoje fica a “Fazenda São José da Cachoeira”, sendo que o sítio da atual cidade era denominado Paciência, nome até hoje conservado pelo córrego que margeia a zona urbana.

  

 

Comemoração Cívica                      Rua 21 de Novembro

  

 

 

 

Por volta de 1.880 existiam em Paciência três casebres feitos de taipa e barro. Em 1884, correndo rumores de que a Companhia Paulista de Estradas de Ferro iria estender seus trilhos até “rincón”, proprietários de terras, inteirando-se do local exato por onde passariam os trilhos, fundaram em Paciência, uma vila, construindo uma capela e dando ao lugar a denominação de Rincão.

A povoação ficava situada à margem direita do córrego da Paciência, continuando a fazenda a conservar o nome de São José da Cachoeira. Os FUNDADORES DE RINCÃO foram os próprios donos da referida fazenda, cujas terras se estendiam até o lugar da vila em fundação. Eram eles: João Caetano Sampaio, Luiz Caetano Sampaio e Francisco Caetano Sampaio.

Os primitivos habitantes da região: foram os guaianazes, de usos e costumes próprios, sedentários e não antropófagos, que aqui construíram suas tabas. Recentemente foram encontrados vestígios desses antigos habitantes em algumas fazendas do município, como a Igaçaba encontrada na Fazenda do Sr. João Rapatone, contendo ainda ossos, quando este processava trabalho, de preparo da terra para a lavoura. Encontra-se a referida Igaçaba no laboratório da Escola Estadual Comendador Pedro Morganti.

 

A IMIGRAÇÃO E A DENOMINAÇÃO ORIGINÁRIA DO MORRO

DO SPREAFICO:

 

Rincão recebeu imigrantes de várias localidades do mundo, entre elas: Itália, Portugal, Espanha, Síria, Japão, Rússia, etc. O maior fluxo de imigração deu-se no inicio do século passado. Instalaram-se aqui, em vários pontos do território municipal, principalmente na zona rural, onde adquiriram terras e cultivaram lavouras.

A família Spreafico, formada por imigrantes italianos, adquiriu as terras compreendidas pelo morro denominado de Morro dos Spreaficos. Instalaram-se no sopé dele, onde cultivavam as lavouras e criavam animais, responsáveis por seu sustento e sobrevivência. As atuais gerações da família continuam a reunir-se, uma vez por ano, para confraternização familiar: a conhecida “Festa dos Spreafico”.

  

 

Morro do Spreafico

 

 

FAZENDA PRODUTORA DA ÉPOCA:

 

Em meados de 1945, destacou-se como grande propriedade produtora e criadora de gado leiteiro e de corte, a fazenda denominada São José da Cachoeira, atualmente Fazenda Modelo. Situada no município de Rincão, privilegiada pela grande quantidade de água que possui, cerca de oito represas formadas por três mananciais, cachoeiras e saltos, era na época a grande potência latifundiária, que gerava emprego a grande parcela da população.

A produção de leite era destinada a usina de laticínios instalada no município de Rincão. Naquela época todo o sistema já era automatizado por maquinário alemão. As culturas eram diversificadas, destacando-se o plantio de arroz, café, banana maçã, silagem para o gado, milho, cana-de-açúcar para destilagem de aguardente, laranja, diversidade de árvores frutíferas, etc. O gado era criado com destino a participação em feiras agropecuárias no município de Barretos e constantemente era premiado pela produção de leite e carne.

 

ASPECTOS FÍSICOS, GEOGRÁFICOS E ECONÔMICOS

 

POPULAÇÃO: Aproximadamente 11.000 habitantes, segundo o último censo.

 

POSIÇÃO GEOGRÁFICA:

Latitude – 21° 36’s

Longitude – 48° 04’ W de Greenwich

 

ALTITUDE: 521 metros acima do nível do mar

 

CLIMA: Tropical-quente, com chuvas no verão, sendo praticamente seco os meses de inverno.

 

DISTÂNCIA DA CAPITAL DO ESTADO EM LINHA RETA: 262 km.

 

ÁREA DO MUNICIPIO: 2.180 km2

 

RELEVO

 

O relevo do sitio urbano é constituído de colinas e planícies formadas pelos ribeirões que atravessam a cidade. As formas de relevo do município se alongam para o norte, perdendo altitude para o vale do Rio Mogi-Guaçu – são chapadões, morros e espigões do Planalto Ocidental, entrecortados por vales abertos pelos cursos d’água afluentes daquele rio.

 

Destacam-se os morros:

 

MORRO DO CRISTO REDENTOR, atingindo cerca de 610 metros de altitude em relação ao nível do mar e cerca de 70 metros de altura.

  

  

Morro do Cristo

MORRO DA CARANGOLA, atingindo cerca de 682 metros de altitude em relação ao nível do mar e cerca de 62 metros de altura.

 

MORRO DA ESTÂNCIA ALVORADA, contendo dois picos, sendo que o ponto mais elevado, atinge cerca de 638 metros de altitude em relação ao nível do mar e altura de 78 metros. O pico mais baixo atinge cerca de 610 metros de altitude e 58 metros de altura.

 

MORRO DA PROPRIEDADE WALTER DO AMARAL, contendo cerca de 581 metros de altitude e 21 metros de altura. Todos eles localizam-se próximos à zona urbana.

 

NOTA: Dados fornecidos pelo Eng° Agrimensor João Luiz Pereira de Abreu, conforme Carta Topográfica do IBGE – Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

 

NATUREZA PREDOMINANTE DAS TERRAS:

Rochas sedimentares e vulcânicas (derrames de lavas) dão a estrutura geológica do município, originando solos arenosos e de terra roxa, além de solos de várzea.

 

NATUREZA PREDOMINANTE DA VEGETAÇÃO:

A vegetação predominante é a de campos cerrados, seguindo-se partes com matas e matas galerias (no vale do Rio Mogi-Guaçu). Nos morros encontramos vegetação caracterizada por matas seca.

 

HIDROGRAFIA

O município de Rincão é totalmente drenado por cursos de água da Bacia do Rio Mogi-Guaçu, no seu baixo curso, bastante aplainado, com sucessivas curvas e meandros formando lagoas, como, por exemplo: a Lagoa velha, das Cabras, Vermelha, do Mandi, etc, e trechos de várzeas, com aproveitamento agrícola (arroz) e industrial (olarias).

Em todo o limite norte, o município é demarcado pelo Rio Mogi-Guaçu, para o qual fluem as águas dos afluentes principais: Ribeirão das Guarirobas, Ribeirão das Cabaceiras, Ribeirão das Anhumas, Ribeirão Rancho Queimado, Ribeirão Rincão (os dois últimos atravessando a zona urbana da cidade) e Ribeirão das Almas, todos com direção geral, grosseiramente sul-norte.

 

MUNICÍPIOS LIMÍTROFES

Araraquara, São Carlos, Santa Lucia, Motuca, Guatapará e Luiz Antonio.

 

ATIVIDADES ECONÔMICAS

 

I - SETOR PRIMÁRIO: A principal atividade econômica do município se caracteriza pela agricultura, tendo como fator principal o cultivo da cana-de-açúcar, vindo a seguir a produção de laranja, e em menor escala culturas de cereais como: arroz, soja, amendoim, feijão e milho. A pecuária apresenta a atividade de criação de bovinos, suínos e aves e a produção de seus derivados (leite e ovos).

  

  

Antigo Banco do Comércio e Indústria

  

II – SETOR SECUNDÁRIO: Caracteriza-se pelas indústrias de transformação de tijolos e pelas extrativas de areia e pedregulho

 

III – SETOR TERCIÁRIO: É representado pelo comércio e serviços instalados no município.

 

Antigo Cine São Luis

 

IV – SETOR TERCIÁRIO MODERNO: Representado pela área de comunicação (Internet, rádio Rincão) e Escola de Informática.

 

V – TERCEIRO SETOR: A ONG Cheiro de Arte, formada por um grupo de pessoas diversificado da sociedade Rinconense com o interesse de promover, desenvolver e defender a cultura, educação, meio ambiente o desenvolvimento sustentável e o turismo, que tem entre seus objetivos colaborar para o desenvolvimento social e econômico para a diminuição dos índices de exclusão no município.

  

 

Antiga Fábrica de Laticínios                                  CEAGESP

 

 

 

CULTURA E PATRIMÔNIO HISTÓRICO 

 

Banda "Os Naturais"                         Bilheteria da Estação

 

 ESTAÇÃO FERROVIÁRIA 

 

Estação Ferroviária

 

A estação de Rincão foi aberta em 1892. A partir de 1901, passou a ser ponto de bifurcação da linha, com a inauguração do ramal do Mogi-Guaçu, que chegaria a Pontal dois anos mais tarde. A partir de 1928, com o alargamento de bitola da linha que transformaria em tronco o trecho Rincão-Passagem-Bebedouro, passou a ser o ponto de saída do agora chamado ramal de Jaboticabal, antiga linha-tronco em bitola métrica, até então. Este ramal foi extinto em janeiro de 1969. Também em 1928, chegaria à estação a eletrificação da linha de Monteiros, uma derivação que ia para Ribeirão Preto.

 

“A Cia. Paulista nos levava da Estação da Luz até Rincão, onde acabava a alimentação elétrica. Não dá para esquecer os vagões azuis impecáveis da Paulista. Em Rincão, saía a locomotiva elétrica e entrava a máquina Diesel, que nos deixava em

 

O trem da FEPASA chega à Estação de Rincão em 1987.

 

 

 

Guatapará e seguia para Barretos. Eu adorava ver a operação de troca de locomotivas. De Guatapará íamos de máquina a vapor para Monteiros, na fazenda onde nasceu minha mãe. Estou falando da década de 50, afirma Coryntho Silva Filho”

 

Em 1927, o pátio da Estação de Rincão

 

  

  

Rincão foi a ponta dessa eletrificação até 1997, quando a Fepasa, sucessora da Paulista, retirou os cabos aéreos, mantendo-os somente até Araraquara. Os trens de passageiros que seguiam, nos últimos anos, até Barretos, acabaram por ser suprimidos em março de 1998.

 

 

 

 

Em 1916, a Estação de Rincão

  

 

 

Foto atual da Estação (atualmente ocupado pela Prefeitura)

 

Atualmente, a estação foi entregue totalmente restaurada pela Prefeitura e passou a servir de sede da Prefeitura desde fevereiro de 2004 – em caráter provisório, e em centro cultural posteriormente.

Do lado externo foram construídos um Teatro de Arena para cerca de 250 pessoas para a realização de eventos culturais (apresentações musicais, teatrais e etc) e a Praça dos Ferroviários.

 

 Praça dos Ferroviários  

 

Teatro de Arena